A secretária nacional Isadora Nascimento posa ao lado de representantes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em sala de reuniões, enquanto segura uma jaqueta esportiva amarela ao centro do grupo, com móveis e paredes claras ao fundo.
Articulação entre as instituições prevê ações em comunicação, educação inclusiva, esporte e atuação nos territórios voltadas às pessoas com deficiência | Foto: Thiago Araújo/SNDPD/MDHC

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, nessa quinta-feira (5), reunião com representantes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para discutir parcerias voltadas ao enfrentamento do capacitismo, ao fortalecimento da educação inclusiva e do esporte para pessoas com deficiência, à produção de conteúdos audiovisuais e campanhas de conscientização, além da possibilidade de compartilhamento de dados, em conformidade com a legislação vigente, e da articulação institucional com estados e municípios.

No encontro, a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Nascimento, afirmou que a iniciativa consolida a articulação com o CPB e alinha agendas voltadas à promoção da inclusão. “O MDHC já conta com uma campanha permanente de enfrentamento ao capacitismo. O diálogo com o Comitê Paralímpico Brasileiro amplia o alcance dessa atuação, especialmente por meio da comunicação, da educação inclusiva, do esporte e da articulação institucional com estados e municípios”, afirmou.

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, José Antônio Ferreira Freire, apontou que garantir visibilidade contínua ao esporte paralímpico é uma forma de disputar narrativas e enfrentar o capacitismo de maneira estrutural. “Durante muito tempo, os atletas com deficiência apareciam só a cada quatro anos, e depois sumiam. O que a gente entendeu é que o importante é fazer parte da paisagem, estar com frequência no noticiário, nas transmissões e nas competições. Por isso, a parceria com o MDHC é estratégica para ampliar esse debate e fortalecer a presença do paradesporto no cotidiano da sociedade”, pontuou.
Responsável pela comunicação institucional do CPB, Daniel Brito afirmou que a estratégia do Comitê aposta na produção de conteúdos audiovisuais e na difusão contínua do esporte paralímpico como forma de ampliar o alcance das narrativas sobre deficiência.

“Entre as nossas iniciativas, está o Selo Brasil Paralímpico, que consolidou parcerias de conteúdo e permitiu ir além da lógica das medalhas, ampliando a cobertura das competições e das histórias dos atletas na mídia. Quando o paradesporto passa a circular de forma regular na televisão e nas plataformas digitais, ele deixa de ser exceção e passa a fazer parte do cotidiano das pessoas, contribuindo diretamente para o enfrentamento ao capacitismo”, afirmou Daniel Brito.

Cadastro e dados

No debate sobre comunicação institucional e qualificação das políticas públicas, o coordenador-geral de Pesquisas, Dados e Informações da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do MDHC, Wandemberg Venceslau Rosendo dos Santos, tratou da integração de informações entre as instituições.

“A ideia é aproveitar o Acordo de Cooperação proposto pela equipe do Comitê Paralímpico Brasileiro e inserir a integração de dados ao Registro de Referência da Pessoa com Deficiência, sempre com consentimento expresso das pessoas envolvidas e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados, como uma das metas do Acordo. Esse processo pode qualificar o planejamento das políticas públicas, fortalecer a articulação com estados e municípios e ampliar o acesso a direitos, sem qualquer repasse financeiro entre as instituições”, afirmou o gestor.

Atuação do CPB

Com mais de três décadas de atuação, o Comitê Paralímpico Brasileiro consolidou o esporte paralímpico no país, ampliando o acesso de pessoas com deficiência à prática esportiva, da base ao alto rendimento. Nas Paralimpíadas de Paris 2024, o Brasil alcançou sua melhor campanha histórica, com 89 pódios no total e 25 medalhas de ouro, um recorde para a delegação brasileira.
Para o coordenador do Programa Inspiração Paralímpica do CPB, Antônio José do Nascimento, que também participou do encontro, a parceria com o MDHC dialoga diretamente com essa história. “O Inspiração Paralímpica nasce da ideia de que o esporte é porta de entrada para direitos, educação e cidadania. Quando essa agenda se conecta com a comunicação pública e com políticas estruturantes, a gente amplia o impacto e chega a mais crianças, jovens e famílias em todo o país”, destacou.

A atuação do CPB é estruturada por uma ampla rede de 99 Centros de Referência espalhados pelo país, voltados à iniciação esportiva e à formação de novos talentos. A meta de médio prazo é ampliar essa rede para 123 unidades em todo o país, fortalecendo a presença territorial do esporte paralímpico e ampliando o acesso de pessoas com deficiência à prática esportiva em diferentes regiões do Brasil.

Texto: T.A.
Edição: F.T.