Em um palco de evento institucional, sete pessoas posam juntas sorrindo para uma foto durante a apresentação de um documento oficial. Ao centro da imagem, duas mulheres seguram um papel com aparência de ofício ou termo institucional, enquanto as demais pessoas ao redor participam do momento de entrega simbólica. À esquerda, uma mulher de vestido verde escuro sorri para a câmera. Ao lado dela, uma mulher de óculos, usando camisa listrada em branco e azul e calça vermelha, segura o documento. No centro, uma mulher de blusa azul-clara e boné branco também segura o papel e sorri. Ao redor delas, há homens e mulheres vestidos de maneira informal e institucional, alguns usando camisetas relacionadas ao evento. À direita, um homem de blazer azul e camiseta branca posa sorrindo. No fundo do palco, um telão exibe o texto “Lançamento dos Programas Envelhecer nos Territórios & Viva Mais Cidadania”, além das logomarcas dos programas e do governo.
Com iniciativas como Envelhecer nos Territórios, Viva Mais Cidadania e Novo Viver sem Limite, pasta reforça a presença do Estado nos territórios e amplia políticas de cidadania, cuidado e acessibilidade | Foto: Raul Lansky/MDHC

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) lançou, na terça-feira (5), em Natal (RN), os programas Envelhecer nos Territórios, Viva Mais Cidadania e o Novo Viver sem Limite. A cerimônia, realizada no auditório da Reitoria do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), reuniu autoridades federais, estaduais, parlamentares, representantes de instituições públicas de ensino, conselhos de direitos, movimentos sociais e agentes de direitos humanos.Ao lado da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, teve participação de destaque no lançamento das iniciativas, reforçando a articulação entre governo federal, estado e instituições locais para fortalecer políticas públicas de cuidado, cidadania e inclusão no território potiguar.

As iniciativas têm como eixo comum o fortalecimento da presença do Estado nos territórios, com foco na promoção dos direitos humanos, na proteção de pessoas idosas, na ampliação da cidadania e na garantia de políticas públicas para pessoas com deficiência. No Rio Grande do Norte, a ação envolve formação, articulação interinstitucional e atuação direta junto às comunidades, considerando as diferentes formas de envelhecer no país.

Durante o evento, também foi celebrada a formação de agentes de direitos humanos da pessoa idosa, que receberam certificação após concluírem curso voltado ao envelhecimento, aos direitos humanos e à proteção integral desse público. A partir da diplomação, os agentes passam a atuar diretamente nos territórios, com visitas domiciliares, escuta qualificada e identificação de demandas, necessidades e possíveis violações de direitos.

Envelhecimento com dignidade e presença do Estado nos territórios

Ao destacar a ampliação do programa Envelhecer nos Territórios no estado, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, ressaltou que a iniciativa busca aproximar o poder público da vida concreta das pessoas idosas, especialmente daquelas que enfrentam vulnerabilidades sociais, isolamento, violência ou dificuldade de acesso a serviços.

“É uma emoção enorme poder ampliar o Programa Envelhecer nos Territórios aqui no estado. A iniciativa funciona de maneira muito simples, mas tem uma metodologia muito importante e inovadora. Ela parte do pressuposto de que precisamos fazer uma política da pessoa idosa de porta em porta”, afirmou.

Segundo a ministra, a atuação dos agentes será fundamental para construir uma relação de confiança com a população idosa e identificar situações que permanecem, muitas vezes, invisíveis ao poder público: “A ideia é contar com agentes de direitos humanos que vão até as casas das pessoas para identificar demandas, necessidades e eventuais violações de direitos humanos. É preciso manter contato com essa população e garantir uma relação de confiança. E é isso que esses agentes vão fazer a partir de agora”.

No Rio Grande do Norte, o programa já alcança nove municípios, com perspectiva de ampliação. Desde 2023, segundo a ministra, mais de 70 mil pessoas idosas foram atendidas por ações vinculadas ao Envelhecer nos Territórios em todo o país.

“É pouco quando pensamos nas 36 milhões de pessoas que hoje são idosas no nosso país. Mas, quando consideramos que este é um projeto de inovação e de política pública para preparar o Estado brasileiro para o momento em que a maioria da população será composta por pessoas idosas, precisamos pensar de forma mais ampla”, avaliou Janine Mello.

Viva Mais Cidadania amplia atuação junto a populações vulnerabilizadas

Além do Envelhecer nos Territórios, o evento marcou o lançamento do Viva Mais Cidadania, iniciativa voltada à promoção da participação social, ao fortalecimento de direitos e à atuação junto a populações historicamente vulnerabilizadas.O programa pode ser desenvolvido em contextos urbanos, rurais e comunitários, alcançando povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas, ribeirinhos e ciganos, além de grupos específicos, como pessoas LGBTQIA+, pessoas em situação ou trajetória de rua e pessoas idosas em privação de liberdade.

Diferentemente do Envelhecer nos Territórios, que tem como base a formação de agentes locais e a realização de visitas domiciliares, o Viva Mais Cidadania atua a partir de equipes vinculadas a institutos e universidades federais, em diálogo com a comunidade e com a rede de proteção. A metodologia prevê a identificação de problemas centrais enfrentados por determinado grupo ou território e a construção de soluções articuladas com órgãos públicos e instituições locais.

Janine Mello destacou que ambos os programas são complementares e respondem à diversidade das trajetórias de envelhecimento no Brasil: “Esses programas são complementares e estratégicos. Eles reconhecem que o envelhecimento é diverso e que precisa ser compreendido a partir das trajetórias e das condições concretas de vida das pessoas”.

Inclusão digital e enfrentamento à violência

Entre as frentes de atuação dos agentes de direitos humanos está o apoio à inclusão digital de pessoas idosas. Nesse contexto, a ministra chamou atenção para o crescimento de golpes, fraudes e violências patrimoniais que atingem esse público, especialmente em ambientes digitais.

“Os agentes vão atuar diretamente com a população, vão ajudar em questões, por exemplo, de letramento digital. Hoje, sabemos que a população idosa está muito exposta a golpes e fraudes. Para nós, é importante ter um olhar e um cuidado em relação a isso”, destacou.

Para a ministra, preparar o país para o envelhecimento populacional exige planejamento de longo prazo e compromisso permanente do Estado: “Não é para daqui a um ano, para daqui a dois anos. É para daqui a dez anos, daqui a vinte anos, daqui a trinta anos. Sem isso, não vamos conseguir garantir à nossa população envelhecer com dignidade”.

Novo Viver sem Limite fortalece políticas para pessoas com deficiência

A cerimônia também marcou a adesão ao Novo Viver sem Limite, plano voltado à garantia dos direitos das pessoas com deficiência em articulação com estados e municípios.

A iniciativa busca fortalecer políticas públicas de acessibilidade, inclusão e participação social, considerando as realidades locais e a necessidade de integração entre os diferentes níveis de governo.

Para Janine Mello, a adesão é uma etapa estratégica para que as ações cheguem de forma coordenada à população: “A adesão ao programa é uma etapa essencial para garantir a convergência das ações da União com os estados e municípios. É um esforço coordenado para efetivar as políticas para as pessoas com deficiência em todo o território nacional”.

A ministra também relacionou o plano ao debate sobre envelhecimento e deficiência, especialmente no caso de pessoas idosas com deficiência e de pessoas com deficiência que envelhecem em contextos de desigualdade, inacessibilidade ou precarização.

Políticas públicas e proteção social

Já o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do MDHC, Alexandre da Silva, ressaltou que o crescimento da população idosa brasileira deve ser compreendido como resultado de avanços sociais, mas também como um chamado à ampliação de políticas públicas capazes de garantir direitos.

“O Brasil hoje já tem mais de 36 milhões de pessoas idosas. É um número altíssimo, que tem aumentado nas últimas décadas. As políticas têm dado certo, porque muita gente parou de morrer. Mas a grande questão, agora, é a ameaça que passamos a ter aos direitos humanos”, avaliou.Segundo o secretário, embora políticas como o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) tenham sido fundamentais para ampliar a proteção social, ainda há grupos que enfrentam obstáculos para viver a velhice com dignidade.

“Pessoas trans envelhecem e, paradoxalmente, não chegam a envelhecer. Homens negros envelhecem muitas vezes e, paradoxalmente, não chegam a envelhecer. Pessoas em situação de rua também envelhecem, mas nem sempre conseguem viver a sua velhice. E, quando envelhecem, enfrentam uma série de violações e dificuldades”, destacou.

Alexandre da Silva reforçou que o Envelhecer nos Territórios permite identificar violações de direitos, articular respostas e encaminhar demandas conforme a responsabilidade de cada esfera de governo: “Ao integrarmos esforços no âmbito do programa Envelhecer nos Territórios, podemos identificar as diversas formas de violação de direitos e violência. É importante reconhecer que os problemas podem se manifestar em diferentes níveis: local, municipal, estadual e federal”.

Fátima Bezerra destaca parceria para ampliar políticas de cuidado no RN

A implementação dos programas no Rio Grande do Norte reúne instituições públicas de ensino, conselhos de direitos, governo local, movimentos sociais e equipes técnicas, fortalecendo a atuação integrada das políticas públicas nos territórios.

Durante a cerimônia, a governadora Fátima Bezerra destacou a importância da parceria entre o Governo do Brasil, o Governo do Estado e as instituições locais para transformar programas públicos em presença efetiva do Estado na vida das pessoas, especialmente das populações mais vulnerabilizadas.

“Essa colaboração tem sido fundamental para a implementação de políticas públicas que visam garantir dignidade e respeito à população, especialmente às pessoas idosas”, afirmou a governadora.

“O foco mais importante desses programas é cuidar das pessoas, cuidar do ser humano. E, nesse caso, o foco está voltado exatamente para o cuidado com as pessoas idosas, que merecem cada vez mais ter um tratamento de muito respeito, de muita empatia, de muito acolhimento e de muita dignidade”, enfatizou.

Durante a solenidade, a ministra Janine Mello também agradeceu ao reitor do IFRN, às equipes envolvidas, à governadora Fátima Bezerra, ao secretário Alexandre da Silva e aos parlamentares presentes, entre eles os deputados federais Natália Bonavides e Fernando Mineiro.

Já o reitor do IFRN, professor José Arnóbio de Araújo Filho, reforçou o papel das instituições públicas de ensino na construção de políticas conectadas às realidades dos territórios. Segundo ele, é fundamental que as políticas públicas considerem as múltiplas dimensões da diversidade e das desigualdades sociais, reconhecendo que o envelhecimento é vivido de formas distintas por cada pessoa.

“Envelhecer é diferente para cada corpo. É diferente para a mulher negra da periferia, para o homem do campo, para a pessoa LGBTQIA+ que lutou a vida toda para existir”.

Texto: L.M.

Edição: G.O.