Auditório cheio, com público em pé voltado para o palco. À frente, autoridades formam uma mesa solene sob luzes e cortinas vermelhas. Uma pessoa registra o momento com o celular no corredor central.
Centro de Acesso, Pesquisa e Inovação em Tecnologia Assistiva (Capta) é o primeiro do país, inaugurado no Rio de Janeiro (RJ), com foco em inovação, articulação em rede e promoção de direitos | Foto: Divulgação/SNDPD/MDHC

O Centro de Acesso, Pesquisa e Inovação em Tecnologia Assistiva (Capta) do Instituto Benjamin Constant (IBC) foi inaugurado nesta terça-feira (31), no Rio de Janeiro (RJ), como parte das ações do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Novo Viver sem Limite, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), marca a implantação da primeira unidade de uma rede nacional voltada à ampliação do acesso a tecnologias assistivas, com integração entre pesquisa, desenvolvimento e políticas públicas.

O Capta passa a operar como espaço de acolhimento de demandas, demonstração de soluções disponíveis e desenvolvimento de tecnologias assistivas. A estrutura reúne ambientes voltados à experimentação, adaptação e difusão de recursos, com foco na autonomia e na participação social das pessoas com deficiência. Instalado em prédio histórico do Instituto Benjamin Constant, o centro reúne acessibilidade, inovação e articulação institucional em um mesmo ambiente, além de funcionar como vitrine tecnológica e ponto de conexão entre usuários, pesquisadores e gestores públicos.

Durante o evento, o diretor de Relações Institucionais da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), Alex Reinecke de Alverga, destacou o alcance da iniciativa no contexto da política pública de tecnologia assistiva e a inserção do equipamento entre as ações estruturantes do Novo Viver sem Limite.
“O Capta representa um marco histórico e um serviço estratégico dentro do ecossistema de tecnologia assistiva, que vem sendo ampliado de maneira significativa no país. O centro organiza um ponto de encontro entre as demandas da população com deficiência e as redes de pesquisa e desenvolvimento, permitindo que a inovação produza respostas com impacto direto na vida das pessoas”, afirmou Alverga.

Alex Reinecke, diretor de Relações Institucionais da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), está em pé, de terno e gravata, falando ao microfone atrás de um púlpito de madeira, segurando folhas. Ao fundo, cortinas escuras e vermelhas indicam ambiente de evento formal.
(Foto: Divulgação/SNDPD/MDHC)

Na sequência, o diretor destacou o papel transversal da tecnologia assistiva na garantia de direitos e a função do centro na organização dessa agenda no país. “Na base de todo direito assegurado às pessoas com deficiência, há sempre uma tecnologia assistiva que o viabiliza, seja por meio de soluções mais complexas ou de tecnologias sociais, inventivas e igualmente potentes. O Capta passa a oferecer um ponto de referência, de convergência e de articulação dessas múltiplas dimensões da tecnologia assistiva no país”, pontuou.

Para a diretora de Tecnologia Social, Economia Solidária e Tecnologia Assistiva do MCTI, Sônia da Costa, a entrega integra os compromissos assumidos no Novo Viver sem Limite e responde a demandas construídas com participação social. “A criação dos centros de acesso à tecnologia assistiva em todo o país responde a uma demanda construída com participação social e integra os compromissos assumidos no plano. O Capta do Instituto Benjamin Constant é o primeiro desses espaços, estruturado para ampliar o acesso, o conhecimento e o uso dessas tecnologias pela população”, afirmou.

Tecnologia assistiva e acesso à informação

A tecnologia assistiva reúne recursos, serviços e estratégias que ampliam a autonomia, a funcionalidade e a participação social das pessoas com deficiência. A partir dessa perspectiva, o coordenador-geral de Tecnologias Assistivas do MCTI, Milton Pereira de Carvalho Filho, situou o Capta como parte da estratégia de ampliação do acesso à informação e aos serviços nessa área. “O centro surge para enfrentar uma das principais barreiras, que é o acesso à informação sobre tecnologias assistivas. Muitas pessoas não sabem o que é tecnologia assistiva, quais recursos existem, onde encontrar serviços ou se esses produtos são financiados ou subsidiados pelo Estado”, afirmou.

O coordenador também destacou que o Capta incorpora ações de formação, adaptação e personalização de tecnologias, com foco nas necessidades concretas da população com deficiência. “A expectativa é que essa primeira entrega permita consolidar o modelo e ampliar a rede, com novos centros capazes de contribuir para a redução das desigualdades e para a inclusão das pessoas com deficiência”, declarou.
A iniciativa prevê a implantação de 26 centros em diferentes estados, com atuação em rede e articulação com instituições de pesquisa, ensino e serviços. A proposta inclui oferta de capacitação, letramento digital e adaptação de tecnologias assistivas, além da difusão de soluções em diferentes estágios de desenvolvimento, com o objetivo de ampliar a autonomia e a participação social das pessoas com deficiência.

Sala com janelas altas à direita, por onde entra luz natural, e mesas distribuídas nas laterais exibindo recursos de tecnologia assistiva, como próteses, adaptações para mãos, materiais táteis, lupas, peças educativas e dispositivos de apoio. Ao centro, há uma cadeira de rodas adaptada posicionada em destaque. Três pessoas circulam pelo ambiente: um homem observa itens em uma bancada, enquanto uma mulher e outro homem entram por uma porta ao fundo. As paredes têm faixas verticais coloridas.
(Foto: Divulgação/SNDPD/MDHC)

Novo Viver sem Limite

Lançado em novembro de 2023 pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Novo Viver sem Limite estabelece diretrizes para políticas públicas voltadas à garantia dos direitos das pessoas com deficiência, de suas famílias e comunidades em todo o território nacional. O plano está estruturado em quatro eixos de atuação: gestão inclusiva e participativa; enfrentamento à violência e ao capacitismo; acessibilidade e tecnologia assistiva; e promoção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais.

A implementação do Novo Viver sem Limite já apresenta uma série de resultados. No Ceará, por exemplo, o plano garantiu a formação de 1.960 profissionais da educação e 1.150 profissionais de apoio escolar, além da inserção de 3.621 pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Já no Piauí, primeiro estado a aderir ao plano, a pactuação com o governo federal resultou em ações estruturantes nas áreas de educação e mobilidade, com a implantação de salas de recursos multifuncionais em 61 escolas e a entrega de 62 ônibus escolares acessíveis.

Texto: T.A.
Edição: F.T.